Perder um gol na Copa do Mundo é um erro grave: tanto que um jogador colombiano decidiu não voltar para o seu país e ninguém sabe onde ele está
Publicado em 16 de julho de 2026 às 11:42
Além das vaias de parte da torcida, Jáminton Campaz passou a receber até ameaças de morte
Perder um gol na Copa do Mundo é um erro grave: tanto que um jogador colombiano decidiu não voltar para o seu país e ninguém sabe onde ele está O jogador colombiano Jáminton Campaz, de 26 anos, perdeu um gol durante a prorrogação das oitavas de final da Copa do Mundo de 2026 O jogo acabou indo para os pênaltis, quando a Suíça venceu a disputa por 4 a 3 Desde então, Campaz passou a receber mensagens com ameaças diretas contra sua vida e a de sua família A situação levou a imprensa internacional a traçar um paralelo inevitável com a história de Andrés Escobar, zagueiro colombiano assassinado em 1994 poucos dias após marcar um gol contra na Copa do Mundo

A eliminação da Colômbia nas oitavas de final da Copa do Mundo de 2026, diante da Suíça, teve consequências muito mais graves do que uma simples frustração esportiva. 

O jogador Jáminton Campaz, protagonista da chance desperdiçada que poderia ter mudado o rumo da partida, está desaparecido há vários dias após receber uma onda de ameaças de morte.

O atleta, de 26 anos, decidiu não embarcar no voo que levaria a delegação de volta a Bogotá e, desde então, ninguém confirmou oficialmente seu paradeiro. O episódio reacendeu um dos capítulos mais sombrios da história do futebol colombiano, ocorrido há mais de três décadas.

O erro que mudou tudo

A jogada aconteceu aos 115 minutos da prorrogação, quando o meio-campista suíço Granit Xhaka cometeu um raro erro defensivo ao fazer um passe para trás impreciso. Campaz interceptou a bola e ficou cara a cara com o goleiro.

Na finalização, o colombiano tentou encobrir o arqueiro com um toque sutil em direção ao ângulo, mas a bola passou por cima do travessão.

O placar permaneceu em 0 a 0 após o tempo regulamentar e a prorrogação, levando a decisão para os pênaltis. A Suíça venceu a disputa por 4 a 3, embora o próprio Campaz tenha convertido a sua cobrança.

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Uma sombra que a Colômbia ainda não conseguiu deixar para trás

A reação de parte da torcida foi além das críticas esportivas. Em poucas horas, Campaz passou a receber mensagens com ameaças diretas contra sua vida e a de sua família, o que levou a imprensa internacional a traçar um paralelo inevitável com a história de Andrés Escobar.

Em 1994, o zagueiro colombiano foi assassinado em Medellín poucos dias depois de marcar um gol contra que contribuiu para a eliminação da Colômbia na Copa do Mundo disputada nos Estados Unidos.

Esse antecedente faz com que o desaparecimento de Campaz seja visto como mais do que um excesso de cautela, tornando-se uma medida de sobrevivência diante de um padrão de violência que o país nunca conseguiu superar.

Diante da gravidade das ameaças, Campaz publicou um comunicado em sua conta no Instagram pedindo calma aos compatriotas e lembrando que nenhuma frustração esportiva justifica o ódio ou a violência.

Na mesma mensagem, ele agradeceu o apoio recebido durante o torneio e pediu desculpas por não ter conseguido dar ao país a alegria que todos esperavam. O jogador também afirmou que sua entrega e comprometimento com a camisa da seleção jamais estiveram em dúvida.

O paradeiro de Campaz segue desconhecido

Segundo a imprensa, Campaz deveria viajar de Vancouver para Bogotá ao lado de companheiros como Davinson Sánchez, James Rodríguez e Juan Fernando Quintero, mas nunca embarcou no avião.

Desde então, não se sabe se ele continua em território norte-americano ou se seguiu para a Argentina, onde defende o Rosario Central. A incerteza sobre seu paradeiro aumentou ainda mais a preocupação de torcedores, colegas de profissão e autoridades esportivas.

A Federação Colombiana de Futebol condenou publicamente as ameaças e solicitou à Procuradoria-Geral da Colômbia que investigue os responsáveis. 

O caso de Campaz volta a colocar em debate um problema que vai muito além do esporte: o de uma torcida que, por vezes, confunde paixão com exaltação desmedida e que, mais de 30 anos após a morte de Andrés Escobar, ainda não conseguiu separar um erro em campo de um linchamento.

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Por Paula Alves | Colaboradora
Jornalista apaixonada por cinema, streaming e entretenimento. Sempre em busca de boas histórias para contar.
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